sexta-feira, 17 de julho de 2009

Círculo de Partilha

O xamanismo que Alba Maria traz ao mundo é aquele, que tem como suporte básico, os Quatro Elementos: Água, Terra, Fogo e Ar. Toda concepção de sua linha de trabalho é inspirada na Deusa Mãe, Mito Feminino, o originador de todo o Universo. Para cada elemento da natureza existe uma direção, que norteia a vida e o destino de cada um (a).

Buscador/a: Você pode, por favor, me explicar o significado da Direção Oeste?
Alba
: Sim. Esta direção é a expressão viva do feminino. Ela significa a escuridão, o vazio, a possibilidade de mergulhar em terras até então desconhecidas. É o portal onde, em se penetrando, pode-se perceber a fonte de toda a Existência, pois é de lá que todos/as nós viemos e é para lá que verdadeiramente retornaremos um dia. A Deusa que guarda este portal fala através do silencio e do eterno, pois Ela mesma fonte do invisível, traz marcada em si própria a história de cada átomo que nos povoa, conhecedora, portanto, do enigma do Universo e do que está além dele. A Terra é seu principal Elemento, sua cor é a negra e suas qualidades são mudança e transição.

Buscador/a: Como posso me conciliar mais com esta direção?
Alba:
Invoque à Grande Mãe as energias do perdão e da misericórdia e principalmente agradeça pela sua vida, pela vida das pessoas –incluindo aquelas que não lhe são queridas – e pela vida do Universo. Faça isto com a consciência daqueles/as que estão despertos e prontos para servir ao Universo.

Pra conhecer um pouco mais, leia:
A Voz dos Quatro Elementos - Alba Maria – Ed Kalango
Xamã do Tibet – Master Maticintim - Ed Kalango
Mistério das Avós - Alba Maria - Ed Kalango

Caminhos dos ancestrais na Estônia - Notícias - Dia 9

Nono dia – Um maravilhoso desjejum nos aguardava com verduras frescas tiradas da horta, morangos frescos, pão caseiro, mel do local e chá do jardim de ervas. Em seguida fizemos uma profunda partilha, nos despedimos e seguimos rumo a Leesoja onde vive a decidida xamã Thule Lee. O local aguardava por nós, cheio de flores e perfumes de ervas. A xamã nos recebeu de braços abertos. Percebi que ter vindo aqui em anos anteriores, serviram pra que ela confiasse em mim e pudesse nos receber de forma tão amorosa. Vi também o excelente trabalho de Ylle, nossa estoniana que vive na comunidade de Terra Mirim, que cuidadosamente manteve vínculos de aprendizagem com Thule Lee. Uma verdadeira celebração! Estávamos em casa. Ficamos acomodadas todas juntas em uma espécie de mezanino de uma antiga casa que guardava os alimentos e acolhia os mortos da família. “Aqui ficavam nossas preciosidades: nosso alimento e nossos mortos”, me falou a xamã. Ylle foi explicar ao grupo os detalhes daquele espaço, a mesa que faríamos nossas refeições, os sanitários alternativos, a lagoa, o local onde realizaríamos nossa cabana da purificação, o tip e principalmente o local onde o estoniano nasce, vive e morre: a sauna construída de madeira local, esquentada com lenha da própria mata, limpa com água da fonte e perfumada com ervas do jardim. “Aqui resolvemos todos os nossos problemas”. À saída da sauna, um incrível ofurô. Tudo construído de forma original, sem adereços importados e por isto nos remetia a misteriosos espaços interiores. Preparamos-nos para nosso rito da sauna onde a xamã Alba Maria passaria ensinamentos para deslocamentos de padrões e abertura dos sentidos. O belo e poderoso rito se estendeu até a madrugada, intercalado por banhos no lago de águas geladas.
Dias anteriores nas postagens abaixo. Acompanhem as novidades do diário da nossa Jornada!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Caminhos dos ancestrais na Estônia - Notícias - Dia 8


Oitavo dia – Acordamos cedo, fizemos nosso rito de despedida e partimos. Paramos para almoçar em um restaurante típico em Värska, e seguimos rumo a um local escondido entre os pântanos: Viruna. Lá ficaríamos por uma noite para vivenciarmos a canoagem dentro dos lagos pantanosos. Às 22:00h seguimos conduzidas em um trator, livrando-nos dos galhos que pendiam na pequena estrada, sentindo a noite e sendo tocadas pelo silêncio. Caminhamos até o pântano, pegamos as canoas e fomos flutuando pelas águas escuras de Nätsi-Võlla. Agora já estávamos um pouco mais treinadas no exercício de remar, era só usufruir, sentir a profundidade daquele silêncio, seguir o guia Mart e relaxar. No retorno, mais aventuras. Como a noite chegava, o céu estava encoberto de nuvens e só tínhamos frágeis raios de lua. Precisávamos aguçar nossos sentidos. E foi assim que algumas de nós atolaram no pântano, tropeçaram nas árvores caídas, tomaram chuva, choraram e se divertiram, vivendo aquela provocativa realidade paralela. Na volta, a força e a vida tomaram conta de nossos corpos e fomos nos deleitar na incrível sauna estoniana.
Dias anteriores nas postagens abaixo. Acompanhem as novidades do diário da nossa Jornada!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Caminhos dos ancestrais na Estônia - Notícias - Dia 7





Sétimo dia – Saímos para uma caminhada de 6 km pelas sendas pantanosas. “Aqui nossos ancestrais sobreviveram aos ataques dos invasores. Aqui conseguimos resistir aos cristãos e aos russos. (...) Estas árvores, aparentemente pequenas, têm centenas de anos. Seus troncos são retorcidos para sobreviverem melhor, são muito fortes.”, Ylle e Tönu, o guia, nos explicavam. Percorremos a mata que circundava o local, onde o patrimônio imaterial do país nos era revelado, e o mais importante, podíamos fundamentar nosso imaginário povoado de fadas, gnomos, duendes e elfos. Próximo aos cogumelos nativos, víamos as indicações das casas daqueles seres. Lógico que a colheita e o posterior preparo e fritura dos cogumelos fez parte da jornada. Um êxtase envolvia cada uma das mulheres, e éramos levadas a tocar pontos interiores que nos ajudavam a modificar padrões e consequentemente a nos curar. Tomamos banho nos lagos frios e serenos de Mustjärv (Lagoa Preta) e de Valgejärv (Lagoa Branca), nos vimos nos espelhos das águas, cantamos pra os elementos e retornamos à casa, extasiadas, onde um farto jantar nos aguardava.

Dias anteriores nas postagens abaixo. Acompanhem as novidades do diário da nossa Jornada!

terça-feira, 14 de julho de 2009

Caminhos dos ancestrais na Estônia - Notícias - Dia 6

Sexto dia – A casa ficava no alto e víamos embaixo um imenso pantanal povoado de ciprestes, ervas, pequenas flores e musgo verde. Acendemos nossa fogueira fomos descansar. Cada uma construiu seu bastão da transformação e à noite fizemos uma bela vigília cheia de cantos, tambores e orações. Uma forte neblina tornava aquele local mais misterioso. Ela dançava , fazendo círculos, construindo e desfazendo formas como um grande sonho da mente. “A clareza e o frio do Pai Céu se encontra com o colo quente da Mãe Terra, e daí surge a neblina” nos dizia Tönu no dia seguinte. A lua surgia dourada no céu, pincelado pelas nuvens coloridas, através dos raios de sol unidos ao brilho dos raios lunares. E assim vivenciamos uma indizível realidade paralela.

Dias anteriores nas postagens abaixo. Acompanhem as novidades do diário da nossa Jornada!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Caminhos dos ancestrais na Estônia - Notícias - Dia 5

Quinto dia – Hoje tínhamos no programa duas grandes aventuras: a canoagem pelas águas do rio Võhandu e a dormida na caverna Piusa onde a temperatura permanente é de 6 graus. Acordamos cedo, fizemos nossas práticas corporais, pegamos nosso ônibus e fomos até o rio para fazer a canoagem. Um vento frio e uma chuva teimosa se faziam presentes. De vez em quando traços do sol apareciam e nos deliciávamos com aquele calorzinho que chegava. Após as devidas explicações, escolhemos as duplas, pegamos nossas canoas e seguimos rio abaixo. A paisagem era estonteante. Como falar desta jornada por entre as vísceras da Estônia sem usar palavras tão efusivas? Impossível pra mim! Aqui o verde é verde mesmo, mas sem ofuscar. O chão é cheio de musgo macio, e quando se pisa tem-se a impressão de pisar na barriga da mãe, tudo é fofo, os morangos nativos abundam pelo caminho, os odores de cipreste mesclado a flores silvestres perfumam o ambiente com um odor particular do embriagante musk branco… A canoa seguia o rumo guiada por mim e por Ylle, a estoniana que vive em nossa comunidade de Terra Mirim e segue comigo o caminho do xamanismo da Deusa Mãe, e que organizou toda esta jornada. Depois de quase 3 horas de canoagem por um rio tranquilo, chegamos numa parte mais difícil, com pedras, árvores caídas e curvas que exigiam uma grande atenção. Foi exatamente em uma destas curvas com água que corria fortemente que eu vacilei: fiquei olhando patos que desafiavam a correnteza e me desequilibrei, fazendo com que a canoa virasse se enganchando em uma imensa árvore caída na água. Caímos as duas. Que momentos! Fiquei encharcada, tentando segurar os remos, me equilibrar e segurar a canoa, e Ylle tentava entender tudo aquilo e preocupada comigo, esquecia de segurar a canoa. Olhei pra ela e falei: segura a canoa e o remo! Aí começamos “a luta” pra puxar o barco cheio de água pra margem (que margem?), e ver o que poderíamos fazer. Foram instantes onde a sobrevivência falava alto e eu pensava nas palavras do dono das canoas: “cuidado com minhas canoas”, dizia ele sorrindo, momentos antes. Depois de muito esforço, conseguimos arrastar a canoa para um pedacinho de terra lamacenta, e tentamos tirar a água de dentro sem nenhuma vasilha nas mãos. Que loucura! A mente trabalhava ansiosa buscando soluções e em pleno trabalho de puxar o barco, tirar a água, segurar remos, Ylle lembrou de telefonar pra o dono das canoas e descobriu que o celular não havia molhado e que o dinheiro que havia levado para pagar nossa jornada no rio estava completamente seco! Uma celebração. Ela ligou naquele momento, mas o que ele nos disse “tentem sair porque eu não posso chegar aí, estou esperando vocês o mais próximo possível.” Olhei pra Ylle e falei: “só tem você e eu. Vamos tentar, temos que sair daqui.” Uma urgência em sair dali nos fazia dizer ou pensar coisas verdadeiramente delirantes, tipo: “Alba, você pegou o rumo" Eu pensava calada: mas que rumo? Não tem rumo, só água! Depois de algum tempo compreendi que ela queria dizer remo e dentro do caos, eu gargalhei. “Alba, vamos pegar o barco e virar pra tirar a água, depois tentamos colocar ele na cabeça”... coisas sem nenhuma lógica ou sentido. Depois de um tempo tentando tirar a água com as mãos, deu me a idéia de usar os remos. Conseguimos tirar bastante água, e depois naquele pedacinho de terra, conseguimos virar o barco pra tirar o restante da água. Completamente encharcadas e a chuva caindo, seguimos rio abaixo. Em uma das curvas do rio vimos o canoeiro nos acenando desesperado. Queria saber como foi, se queríamos parar, etc. Preferimos continuar descendo as águas ate o final do trajeto. Pouco tempo depois paramos junto ao grupo e contamos nossa aventura. Foi uma festa de risos e brincadeiras, todas nos ajudaram a trocar as roupas, nos emprestaram vestimentas que ainda restavam secas e seguimos até o final. Um piquenique delicioso nos aguardava. Que frio!!!
Seguimos em direção à caverna, às vísceras da Mãe. Fizemos um círculo de partilha antes de entrarmos no local. O medo tocava alguns corações, a mente incessante não parava de questionar: para que isto? Como saio da minha casa e venho dormir em um local tão desconfortável? Etc., etc. Perguntas que já estou acostumada a escutar e a responder. À entrada, uma pequena abertura onde exercitamos a humildade - precisamos nos abaixar, reverenciando o local. Entramos e o frio imperturbável nos acolheu. O silêncio só era quebrado pelos pingos de água de alguns espaços da caverna e pela nossa respiração. Dentro daquele visual quase surreal, com velas nos indicando onde ir, cada uma escolheu o local onde passar a noite. O chão era de areia mesclada ao quartzo, fria como as catacumbas. A mente da maioria trabalhava incessantemente - o ar que pode faltar, o cheiro dos cemitérios, fantasmas que podem aparecer... Nos acomodamos em espaços individuais e pra cada uma a experiência foi particular. “Vi luzes e seres durante a noite". “Não consegui dormir”. "Tive sonhos alucinantes”. "Parecia que tinha tomado alguma erva”. "Senti tanto frio que pensei que ia congelar”... Os depoimentos iam se fazendo na manhã seguinte, depois que Tönu, nosso guia veio buscar-nos. Para algumas foi o grande contato consigo, e lágrimas de imensa compaixão cobriu a face daquelas mulheres. Cantamos à entrada da caverna e seguimos nossa jornada. Agora rumo a onde passaríamos duas noites a fim de vivenciarmos mais intimamente um dos grandes pântanos da Estônia.

Dias anteriores nas postagens abaixo. Acompanhem as novidades do diário da nossa Jornada!

domingo, 12 de julho de 2009

Caminhos dos ancestrais na Estônia - Notícias - Dia 4



Quarto dia – Hoje fomos ver algo inimaginável pra maioria das pessoas: a cidade das formigas. Uma comovente floresta onde as formigas são respeitadas. O guardião do local, um senhor forte de quase oitenta anos e profundos olhos azuis, explicou-nos detalhadamente como vivem as formigas, seus hábitos e costumes. À entrada da floresta ele pediu licença a terra para que pudéssemos entrar. Fomos caminhando devagar e cuidadosamente. Um silêncio pacífico nos acompanhava, só quebrado pela voz do senhor Ain Erik ou quando alguma de nós perguntava algo. Vimos o maior formigueiro do local com incrível 1,90m. As formigas trabalhavam em uma festa de felicidade. De acordo com o senhor Ain “elas são muito organizadas, aquelas que se acasalam têm asas e depois do acasalamento perdem as asas e vão morar no local mais profundo do formigueiro, chegando a viver por 25 anos, enquanto as obreiras vivem entre 2 a 3 dias. Alimentam a rainha, as larvas e a si mesmas com néctar retirado de insetos que ficam nas folhas. Suas cidades são grandes, podem ter várias rainhas em um mesmo formigueiro, constroem estradas, rodovias e transitam por elas sem parar. “Nesta floresta” - explicou o guardião - “temos várias madeiras no chão, são as pontes e viadutos que fizemos para não pisarmos nas nossas irmãs. Elas, assim como os seres humanos, têm sistema digestório, sistema nervoso e sistema circulatório, onde até mesmo um coração existe. Elas sentem assim como nós sentimos, só que são bem mais antigas que nós, datam de 100 milhões de anos na face do planeta.” Seguíamos caminhando por aquela floresta observando também as casas das fadas, gnomos e anjos (eu não consegui ver duendes). Conversamos sobre magia, mitos e em seguida nos despedimos. Outra misteriosa floresta nos aguardava. Pisávamos no musgo macio, odores suaves nos acompanhavam e o silêncio era nosso guardião. Partilhamos o alimento e cada uma daquelas mulheres ia se revelando. Aquela altura era impossível esconder o medo da sobrevivência, o pânico diante do mistério, algumas vezes a falta de solidariedade de algumas, a dor da solidão. Eram mostradas sombras que precisavam ser transformadas e luz que precisava ser cuidada: o olhar cúmplice, o riso solto, a compaixão, a entrega e a imensa solidariedade da maioria. Na chegada da casa que nos hospedava um bom banho gelado no rio e uma boa sauna estoniana nos aguardava.
Dias anteriores nas postagens abaixo. Acompanhem as novidades do diário da nossa Jornada!